quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

LICENÇA POÉTICA V

Não como há dois dias
Sinto-me engolida por uma angústia profunda e sinistra
que se alimenta das minhas mágoas
Não encho a barriga
Mas encho minha mente com lembranças de você me devorando
Com a boca
Com os olhos
Com a língua
Sugando todo o meu corpo
Satisfazendo teu prazer

Quase não bebo mais nada
Alem das lágrimas que escorrem até meus lábios
Molhando-me
Como tantas vezes antes fIzera você
Molhando-me
Mas infelizmente não de prazer,
Não daquele prazer que você provocava
Molhando-me, não tão somente
Mas afogando-me
Em tristeza, em confusão, em incerteza
Num oceano de escuridão
Nadando
Tentando chegar novamente à superfície
Não como a mulher que mergulhou fundo de cabeça
Mas como a mulher de aura etérea por ter explorado

Seus próprios mares e descoberto ser sereia


- Bippa

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

LICENÇA POÉTICA IV

É do ano passado, mas é um dos meus textos favoritos. É sexy, quente e simples.
Enjoy.


Forte e quente
seu sexo e seu café
sem açúcar e sem cafuné
Por vezes longo e mais trabalhado
Por vezes apenas um expresso
amargo
mas naquela noite ela a convenceu a colocar chantilly
Só para que pudessem se divertir
Um sabor doce e feminino
e creme para tudo que é lado
o lençol da cama até ficou molhado
no fim da noite, todo amassado
ah, se ela tivesse conhecido antes esse cappuccino


- Bippa

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

LICENÇA POÉTICA III

Meus escritos não costumam ter nome, mas eu chamaria esse de Memento, porque ele fica perfeito para ler enquanto se  ouve a música de mesmo nome de Jo Blankenburg. 

Segue o link: https://www.youtube.com/watch?v=L9wVi2qvQw4

P.S. Todo o álbum Kaleidoscope (de onde vem essa música) é lindo e tocante. Recomendo.




Você se foi e o inverno chegou.
Gradualmente o frio foi descendo pela cidade. As pessoas começaram a se rercolher para suas casas, fugindo à bruteza do vento. Depois de um tempo começou a gear. As crianças voltaram à rua para se divertir com a delicadeza dos flocos de neve que pintavam as ruas, os telhados, as janelas. Sozinha, eu pensava sentir mais frio que todos, apesar de sequer sair de casa.
Os dias passaram, trazendo a tempestade. Os que haviam sido mais espertos viajaram para encontrar parentes ao sul, umas férias de uma última hora. O vento uivava, esforçando-se para penetrar nos lares por qualquer brecha que encontrasse. Lá fora era apenas cinza e frio. As camadas de neve tão altas que só se podia ver por metade da janela da sala, onde passei a maior parte do tempo sentada frente à lareira, afogando-me nas cobertas e na tristeza, quase que no mesmo compasso que o clima afundava minha casa.
Então, numa tarde dessas decidi voltar ao meu quarto. Subi ao primeiro andar e empurrei a porta. Lá estava minha cama ainda bagunçada da última vez que dormimos juntos. Levantei os lençóis e comecei arrumá-la. Assim que terminei, o sol já tinha se posto, então deitei para observar as estrelas pela clarabóia acima. Apoiei minha cabeça no travesseiro e em segundos adormeci com os vestígios do seu perfume que cheiravam a nostalgia.
Acordei no dia seguinte com o sol da manhã iluminando meu rosto. Me espreguicei e levantei, descansada  Não me sentia tão disposta há dias. Resolvi até mesmo me fazer um café da manhã, com bolo e café quentinhos. Comi tudo sem pressa, observando o vazio pela janela da cozinha. Notei que a tempestade não mais açoitava a vizinhança, então peguei um casaco e resolvi sair.
Assim que abri a porta senti uma leve tontura diante de toda aquela brancura refletindo a luz do sol. Acostumei os olhos e pisei na neve macia, descalça. Adorava a sensação gelada nos meus pés. Caminhei até o quintal, de onde podia ver o vale lá embaixo, as àrvores quase completamente imóveis  salpicadas de tempestade. Sentei, e cruzei as pernas. Fechei os olhos e respirei fundo trêz vezes, até perceber uma coisa que ainda não tinha dado atenção: o silêncio. Havia um silêncio tão profundo que era quase palpável. Tudo estava tão imóvel que parecia que alguém havia pausado a cena. Tão quieto que eu poderia ouvir meu próprio coração bater. Respirei fundo mais uma vez, os olhos no horizonte. Sorri. Sim, meu coração estava lá batendo; em toda a quietude, o único som que eu ouvia era o dele. Era quase como se a natureza tivesse ficado em silêncio para me dizer que tudo ia ficar bem. Agradeci mentalmente por isso.
Tudo estava bem.



- Bippa

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

LICENÇA POÉTICA II

UM ODE À VOCÊ

Vez em quando você vira e pergunta porque estou sorrindo, mas infelizmente não consigo fazê-la entender meus motivos. Infelizmente sou apenas um ser humano falho, aspirante a poeta, que ainda não consegue por em palavras tudo o que se passa em minha cabeça, e menos ainda em meu coração. Talvez seja até isso que me atrapalhe: meu coração. Ele me faz sentir tanta coisa ao mesmo tempo que confunde minha mente, brinca com ela, fazendo-a esquecer todo o vocabulário bonito que vejo em meus livros.
De forma simples posso dizer que sorrio pela sua beleza. Uma beleza tão simples e tão sutil que você talvez nem saiba que tem.
Ah, moça. se pudesse entender essa beleza que vejo entenderia porque pareço uma maluca, sorrindo de repente em meio às mais banais atividades cotidianas. Queria até poder controlar, mas é como se uma pequena descarga elétrica percorresse meu corpo, provocando meus lábios a demonstrar minha admiração de forma tão serena.
Ah, moça,
como eu gostaria que percebesse quão lindo é vê-la sair do banho enrolada na toalha, o cabelo bagunçado pela água ou apenas meio molhado preso daquele jeito despreocupado, a maquiagem restante, borrada a boca de batom ainda levemente marcada. A mão apoiada na cintura, distraída em sua descompostura parada no quarto escolhendo o que usar, com que panos e cores se enfeitar A cena fazendo o tempo parar.
Ah, moça
como eu gostaria que soubesse como amo vê-la mexendo em seus cabelos. Como quando os puxa de lado e os penteia frente ao espelho. Quando, de forma tão natural, os enrola para trás, prendendo-os naquele nózinho descuidado, que parece prestes a se soltar com qualquer movimento um pouco mais ousado . Quando bate aquela brisa e você tranquila deixa os fios soltos brincarem em seu rosto e ri sozinha com gosto. Ou quando vem aquele vento mais forte que te irrita, mas que joga suas madeixas para trás e a transforma numa deusa cosmopolita.
Ah, moça
como eu gostaria que soubesse que lindo é te ver logo de manhã antes de se arrumar, o cabelo ainda todo bagunçado, o rosto meio amassado de um lado, me dizendo que você dormiu bem e pôde descansar.
Ah, moça
como que gostaria que você entendesse que
Moça, devo dizer que não sei como alguém pôde deixar de ver sua beleza. Beleza essa que é de todas mulheres, mas que é sua também e é especial também porque essa tem suas peculiaridades.
Sua beleza tão única quanto seu código genético. Entende?
Entende que todas mulheres são belas, que todas tem a mesma beleza mas que todas elas são diferentes?
Entende que a acho bela às 7h da manhã, mas que existem outras belas à 8h, às 9h e ao meio dia?
Entende que a acho bela saindo do chuveiro, mas que existem outras que são belas saindo do mar, da piscina, da chuva?
Entende que você é linda, é incrível, é maravilhosa e que igual à você não existe ninguém?
Ah moça, que nem você não há nenhuma outra, você é edição limitada de uma só. É por isso que a amo, moça.

Porque se não for em você, não a encontrarei em nenhuma outra mulher.


- Bippa

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Brilho eterno de uma mente insana

A verdadeira razão de tamanha tristeza não é achar que sua ausência não é notada, mas sim comemorada. Você fica ali sentado em silêncio no escuro, com a certeza de que todos estão se divertindo mais assim, sem você. De que as pessoas são mais felizes sem você. Pior, as pessoas que você gosta.
Vez em quando você até se convence de que isso é coisa da sua cabeça, então enxuga as lágrimas, respira fundo e sai. Mas então vem as brincadeirinhas, que te machucam ainda mais e joga a dúvida de volta na sua mente desestabilizada e descrente. Você sente que surpreendentemente caiu ainda mais um pouco no poço de tristeza que acabara de sair e então nada mais é discernível. Só o que resta é a dúvida, que te degrada muito mais do que se soubesse a verdade, mesmo que essa se confirmasse como sendo a hipótese ruim.
A ignorância nem sempre é uma benção. O conhecimento dói, mas a dúvida corrói.



- Bippa

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

LICENÇA POÉTICA

Como primeira Tag do nosso blog maravilha eu lhes apresento o "Licença Poética", que serão as postagens de rascunhos, contos,escritos, roteiros, prosa e poesia de nossa própria autoria.
Não tem um tema, é apenas um incrível espaço para se deixar fluir a mente em palavra escrita.
Enjoy ♥


ESCRITO I

Estátuas, postes, uma luz que se apaga
um estrondo   no escuro
uma sombra no muro
prenúncio do que aconteceu
durante um instante
o silêncio cortante
se parte em azul e vermelho
mas nem precisa olhar direito
esse aí já morreu
um corpo jogado
o asfalto molhado
o fim de uma vida pintado
em tons de rubro e de breu
Iam ligar pra quem para avisar?
Não tinha esposa, amigo ou familiar
nem tinha emprego, nem tinha lar
Nem tinha vida, e mesmo assim morreu
se tinha algum sonho em mente
se era ateu ou se era crente
Se ainda tinha tudo pela frente
tanto faz , se fudeu
foi jogado no buraco dos indigentes
e o mundo seguiu indiferente
Sem uma vida que nunca foi presente

Sem saber quem fui eu

- Bippa

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

OLAR ~GATANS

      EEEEEEE... Finalmente estamos com nosso blog! Uhuu! Já podemos riscar da lista e nos sentir felizes por termos finalizado pelo menos um do nossos plano esse ano!
     Lógico, ainda falta muito para ser supimpa, MAS estamos no caminho e é o que conta :p
     Enfim, isto aqui que estão lendo é a introdução, o "sejam bem vindas" para o espaço que agora temos para divulgar nossa arte, nosso talento, nossos pensamentos. O lugar em que, de alguma forma, poderemos nos expressar e nos divulgar, mesmo que apenas para uma "micro-comunidade" inicialmente (sim, inicialmente porque a gente é foda e vamos estar com nossos trabalhos rodando o mundo no futuro).
     Bom, personas, é só isso meixmo. Vamos um passinho de cada vez e vai dar tudo certo.
   
     Bitoquinhas para ustedes.
   
Essa é a estrelinha da amizade e do amor. Sem julgamentos.